Minha Colega Georgeta Maria de Barros Jung

Pois então… Hoje quando cheguei à Câmara e abri meu e-mail estava lá a nota de falecimento da Georgeta. Em uma atitude meio mecânica, li a mensagem e a apaguei. Logo em seguida fiquei pensando no meu ato: era como se eu estivesse rapidamente apagando a Georgeta. Então retornei a mensagem para a caixa de entrada e fui pensar um pouco.

Convivi diariamente com minha colega por vários meses ainda quando eu não tinha muito tempo de Câmara. Uma pessoa difícil, segundo alguns. Mas tenho uma queda por pessoas ditas difíceis  e acho que a recíproca quase sempre é verdadeira, então gostei e me dei bem com a Georgeta rapidamente. Passei a sentir afeto e ainda muitos anos depois, até se aposentar,  ela continuava a me beijar afetuosamente quando me via pela manhã chegando à Câmara.

Mas o que eu mais gostava na minha colega não era nada doce aos olhos de outros: a capacidade que ela tinha, sem cerimônias, de mandar pararem de lhe encher o saco. Quando alguém vinha com um papo nonsense, ela fazia uma cara de “oh, meu deus, por favor, alguém faça-o calar a boca”; como a mudança de semblante não surtia efeito, ela soltava um belo  “Ahh,  mas não me enche o saco!”. É isso que dá saudade: as peculiaridades que fazem você amar uma pessoa.  Só a lembrança do seu semblante indignado me faz rir e enche meu coração de amor.

E por falar em amor, vinha eu dirigindo pela cidade e pensando no que escrever quando me deparo, em uma esquina, com uma pessoa que vendia mudas de flores. Na verdade, havia uma muda  de resto, que me custou apenas R$ 2,50 e que, no meu jardim, atenderá por Georgeta Maria. Casualmente, era  um amor perfeito, o único tipo de amor que se usa para conviver com pessoas imperfeitas, como qualquer um de nós.

Marcia Almeida – Sindicâmara / Assessoria de Informática

amor_perfeitoGeorgeta Maria